Os 6R’s da sustentabilidade e como aplicá-los em empresas – Microexato

Os 6R’s da sustentabilidade e como aplicá-los em empresas

Sabemos que a preservação do planeta é responsabilidade de todos, sejam consumidores ou produtores de bens e serviços. Atualmente, criar um produto ou gerir um negócio, sem pensar nas questões ambientais, além de pouco responsável, pode ser um tiro no pé de quem pretende construir uma boa imagem no mercado e crescer de maneira sustentável. Por isso, o desenvolvimento de um novo produto deve trazer a preocupação com o meio ambiente em todo o seu ciclo de vida.

Nesse sentido, desde o século passado os “R’s” da sustentabilidade fazem parte dos debates sobre a saúde do planeta. Não se sabe ao certo quando eles surgiram, mas estima-se que foi na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento, também conhecida como Eco-92, realizada em 1992 no Rio de Janeiro, que eles foram citados pela primeira vez. Inicialmente, foram propostos 3R’s (reduzir, reutilizar e reciclar), mas, ao longo do tempo, outros R’s foram adicionados a essa lista, conforme veremos abaixo.

O objetivo dessa política é analisar a geração de resíduos, de forma a preservar ao máximo o meio ambiente. Ela pode ser aplicada tanto aos cidadãos e consumidores, quanto às empresas. No segundo caso, os 6R’s ajudam na análise de todo o ciclo de vida de um produto, ou seja, seu projeto, produção, distribuição, uso, descarte e possível reutilização. Saber gerir recursos e o lixo gerado, além de ser ambientalmente sustentável, pode representar mais economia e valorização da marca perante a sociedade. Somente a reciclagem, por exemplo, já traz diversos benefícios, como o barateamento dos custos de produção e a geração de empregos diretos e indiretos em indústrias, cooperativas e usinas de reciclagem.

Quais são os 6R’s da sustentabilidade?

  • Reduzir

Considerada a primeira etapa dos 6R’s, refere-se à diminuição do consumo de produtos e recursos naturais, mas também do desperdício. Promover a redução pode auxiliar na minimização de gastos com gerenciamento e tratamento de resíduos.

  • Reutilizar

Segunda etapa do processo, trata-se do momento de analisar o que pode ser reutilizado ou ter o seu uso otimizado ao máximo antes de ser descartado.

  • Reciclar

Ato de transformar resíduos em novos produtos, a reciclagem já foi considerada uma solução para os problemas relacionados à geração de lixo. No entanto, o processo exige muita energia e não é perfeito. Muitos materiais que poderiam ser reciclados acabam indo para lixões ou são descartados diretamente na natureza. Por isso, antes da reciclagem, é preciso reduzir e reutilizar tudo o que for possível.

  • Reparar

Aqui, a ideia é projetar produtos de fácil reparo, mas também reparar aqueles que a empresa já possui. Substituir uma peça sai muito mais barato do que adquirir um produto novo.

  • Recusar

Nesse ponto, vale pensar quais produtos ou matérias-primas podem ser recusados, a fim de evitar a geração de resíduos, mas também vale se perguntar como o consumidor reagirá ao seu próprio produto: ele poderia recusar? Com o crescimento do consumo consciente, cada vez mais pessoas estão repensando seus hábitos e recusando marcas pouco sustentáveis. Então esteja atento a isso.

  • Repensar

Todo negócio precisa estar constantemente se reinventando e repensando formas de produção mais eficientes. Nesse caso, vale projetar produtos que fazem o mesmo trabalho mais eficientemente ou mesmo repensar a embalagem, de forma que ela seja mais fácil de reciclar, por exemplo.

Como aplicar os 6R’s em empresas

Como vimos, a política dos 6R’s é uma forma de avaliar todo o ciclo de vida de um bem ou serviço e a sua adoção em empresas vai variar de acordo com o porte do negócio. Em geral, os grandes possuem departamentos específicos para isso, mas os pequenos podem começar montando uma equipe interdisciplinar, com representantes de diferentes funções e até mesmo fornecedores, consultores e alguns clientes.

Entre os exemplos simples de ações que podem ser tomadas são: a substituição de copos descartáveis por copos de vidro ou canecas, o uso de equipamentos com melhor eficiência energética, a utilização de descargas de água com duplo acionamento, a racionalização do uso de combustíveis, a reutilização de papéis (usando os dois lados ou como rascunho e bloco de anotações) e a separação do lixo. Empresas que manejam alimentos podem aproveitar ao máximo os talos, cascas e folhas em diferentes receitas ou podem apostar na compostagem, evitando que o lixo orgânico seja descartado em sacos plásticos.

Outras ações vão necessitar de maior planejamento, como a implantação de sistemas de reutilização de água. Nesse caso, a água da chuva pode ser captada e utilizada em atividades como limpeza de maquinário, irrigação de plantas, nas descargas dos banheiros ou mesmo no ciclo de produção.

A logística reversa também é um grande exemplo da aplicação dos 6R’s em empresas. Basicamente, trata-se de fazer a coleta, reuso, reciclagem, tratamento e/ou disposição final dos resíduos gerados após o consumo de um produto. O McDonald’s é um case mundial interessante: o óleo utilizado para fritura é recolhido pela empresa Martin-Brower, que o transforma em biocombustível, posteriormente utilizado para abastecer os próprios caminhões da empresa.

Com a tecnologia tão presente em nossas vidas, a reciclagem do lixo eletrônico também é de grande importância. No entanto, como toda tecnologia carrega algum tipo de contaminante nocivo ao meio ambiente e à saúde, a destinação desse tipo de resíduo deve ser feita junto a empresas especializadas. Com mais de 20 anos de mercado, a Microexato compra lotes de equipamentos usados e promove uma rigorosa série de testes e triagem para devolver ao mercado computadores, notebooks, servidores e monitores Dell, HP e Lenovo empresariais em pleno funcionamento.

Ao adquirir esses produtos, evita-se a produção de um equipamento novo, o que significa uma economia de 210 kg de CO2, o equivalente a 840 km percorridos por um carro, e de 1.500 litros de água. Dos lotes comprados, a maioria é recolocada no mercado consumidor com garantia de 1 ano e o que não é aproveitado segue para parceiros homologados que realizam a reciclagem, concluindo o ciclo de sustentabilidade de TI completo.

Depois de anos terceirizando a gestão dos resíduos sólidos, a Renault do Brasil decidiu pela internalização dessa operação. Com o projeto “Internalização da Gestão de Resíduos Sólidos: Aterro Zero e Economia Circular”, a empresa melhorou como trata os resíduos gerados, banindo o uso de aterros industriais. Dessa forma, aumentou a eficiência dos recursos investidos em destinação de resíduos e redução de custos. Além disso, implantou a prática de reusar certos materiais – que anteriormente eram descartados.

Um exemplo de redução do uso de recursos naturais vem da Masterfoods, que diminuiu o consumo de gás natural de secadores. Esses equipamentos fazem parte do processo de produção de ração seca. Para essa redução, “foi feita a redução da exaustão de ar dentro do secador (em torno de 50%) e a redução automática da chama (que emite o calor para dentro do secador) quando não houvesse produto”.

Tendências dos 6 R’s da sustentabilidade para os próximos anos

Em outubro de 2020, a consultoria Ideia Sustentável lançou o estudo Tendências de Sustentabilidade no Outro Normal, listando as 11 tendências que ganharam mais fôlego na pandemia e que devem pautar os negócios para uma retomada econômica baseada na Agenda 2030, da ONU.

Entre elas, destaca-se a ideia de interdependência (tudo e todos estão conectados) e as empresas se enxergando como parte da solução e não apenas do problema. Por isso, a tendência é de que elas não só preservem, mas ajudem na recuperação do que foi degradado. A adoção dos 6R’s da sustentabilidade e da inovação em processos e produtos serão parte dessa busca pela regeneração.

A ascensão do ESG (Environmental, Social and Governance), sigla cada vez mais presente no mundo corporativo e entre investidores, também seguirá nos próximos anos, bem como as emissões de green bonds, títulos de dívidas atrelados a projetos sustentáveis. Outros temas que devem ganhar força e virar cada vez mais tendência nas empresas é a economia circular e a logística reversa, fundamentais para diminuir o consumo de recursos naturais do planeta.

Referências

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